Remedios naturais

Como pode uma forma de terapia tão antiga ser tão moderna? Há milhares de anos que se utilizam os remédios à base de plantas, no entanto, atualmente são considerados a última novidade. E são-no na medida em que a ciência está a confirmar quais as plantas que realmente têm efeitos medicinais, quais as que não têm e quais as que, simplesmente, são perigosas.

O aparecimento de remédios à base de plantas medicinais em diversos estabelecimentos, até nas prateleiras das farmácias, reflete a crescente procura de alternativas mais naturais (e mais económicas) aos fármacos convencionais. Mas o fato de uma substância ser classificada como natural não significa que não possa ser tão perigosa como uma droga convencional, nem que não possa interagir com quaisquer medicamentos que se esteja a tomar. Tenha, pois, cuidado com o que compra e a quantidade que toma.

As plantas medicinais são mais bem conhecidas no tratamento de problemas ligeiros. Uma chávena de chá de camomila pode fazer bem ao estômago ou aliviar as dores menstruais, e uma camadinha de gel de aloés-vera fresco pode suavizar uma queimadura de primeiro grau. Algumas plantas, no entanto, revelaram potencialidades para ser usadas em situações mais graves, como problemas circulatórios ou depressão. Indicam-se a seguir alguns dos principais remédios à base de plantas medicinais.

  • Gingko. O extracto das folhas desta árvore contém compostos que podem dilatar os vasos sanguíneos, estimular a circulação e inibir a formação de coágulos sanguíneos. Na Europa, usa-se o gingko para tratar certos tipos de perda de memória, vertigens, zumbidos nos ouvidos e problemas circulatórios. Alguns estudos indicam que pode melhorar a função cognitiva em doentes com demência ou nas primeiras fases da doença de Alzheimer. Não deve ser tomado com anticoagulantes, excepto por indicação do médico.
  • Hipericão. Esta planta é muito usada para tratar depressões — em 1994, na Alemanha, foram receitados 66 milhões de doses. Não se sabe ainda exatamente como é que a planta funciona, mas admite-se que possa aumentar indirectamente os níveis de serotonina, um composto químico produzido pelo cérebro, provavelmente diminuído nos doentes com depressão. Deve ser usado exclusivamente em casos de depressão ligeira a moderada e apenas sob supervisão médica.
  • Equinácea. Esta planta pode aumentar a capacidade do sistema imunitário para evitar ou diminuir a intensidade de infeções baterianas, virais ou fúngicas. Os efeitos secundários são raros, mas como a planta atua no sistema imunitário, não deve ser tomada por quem sofra de doença grave ou de alterações do sistema imunitário, como a esclerose múltipla, a artrite reumatóide e o lúpus.
  • Valeriana. O efeito sedativo desta planta é conhecido há séculos. A valeriana ainda hoje é usada no tratamento da insónia, em parte porque não provoca habituação, como pode acontecer com os medicamentos prescritos. Pode ajudar a «passar pelas brasas» e até a melhorar a qualidade do sono. Não tem praticamente efeitos secundários, mas não deve ser tomada em simultâneo com sedativos convencionais.
  • Matricária. As folhas ajudam a diminuir a frequência e a intensidade das enxaquecas e a aliviar o enjoo e os vómitos que as acompanham. Mas a qualidade varia mesmo entre os produtos comerciais.

Se pensa utilizar um remédio à base de plantas medicinais, siga estas orientações:

  • Não o utilize para tratamento de uma situação grave sem aprovação prévia do seu médico.
  • Se estiver grávida, a tentar engravidar ou a amamentar, evite tomar remédios à base de plantas medicinais.
  • Se toma fármacos convencionais, consulte o médico antes de tomar um remédio à base de plantas medicinais para evitar interações.
  • Respeite as doses recomendadas e evite tomar remédios à base de plantas medicinais durante muito tempo. Algumas plantas são tão potentes como os fármacos de receita.
  • Tome um remédio de plantas medicinais de cada vez. Nunca use nenhum que se destine a ter o mesmo efeito que um fármaco convencional.
  • Vigie de perto os seus sintomas para verificar se um remédio à base de plantas medicinais está a produzir melhoras — ou efeitos secundários indesejáveis. Se sentir sintomas estranhos ou se sentir mal, suspenda imediatamente o remédio e chame o médico.

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