Radiação

A radiação é energia em movimento; o termo é aplicado às ondas eletromagnéticas e também a partículas subatómicas que se deslocam a grande velocidade. Existe sempre à nossa volta. Pode ser ionizante (capaz de fazer sair electrões dos átomos para criar iões) ou não-ionizante. Ambos os tipos emanam de fontes naturais e artificiais. Embora todos os tipos de radiação possam ter consequências para a saúde, é a ionizante que causa maiores preocupações.


Energia que pode lesar as células

A radiação não-ionizante tem capacidade de fazer vibrar ou excitar os átomos, mas não de mudar radicalmente a sua química. As variedades incluem a luz visível, as ondas infravermelhas, ultravioletas, da rádio e de televisão, as microondas, enfim, todos os campos electromagnéticos, até os emitidos por cobertores elétricos, telefones celulares e linhas de alta tensão. Embora a radiação não-ionizante não quebre em geral ligações químicas, a mais energética, a ultravioleta, pode causar alterações químicas. Por exemplo, as ondas ultravioletas do Sol ou das lâmpadas para bronzear podem afectar a pele e os olhos, aumentando, com o tempo, o risco de cancro da pele e de cegueira. Mas até as menos energéticas, com alta intensidade, podem causar alterações importantes: as microondas podem destruir os tecidos ao aquecê-los.

A radiação ionizante pode alterar a química do tecido biológico sem gerar calor. Cerca de 80% da nossa exposição à radiação ionizante provêm de fontes naturais, basicamente da radiação de fundo do rádon e da decomposição dos seus produtos; de outras substâncias radioactivas presentes nas rochas e solos, e mesmo dos raios cósmicos do Sol e das estrelas. As fontes artificiais são constituídas em primeiro lugar pelos raios X de diagnóstico, da tomografia computorizada e da radioterapia. As centrais de energia eléctrica movidas a carvão, os reatores nucleares e os lixos radioactivos mal armazenados também libertam radiação ionizante.


A radiação passa através do corpo, em regra sem deixar vestígios. Mas a exposição prolonga-da pode afectar os tecidos, provocando lesões moleculares, incluindo mutações no material genético, que, com o tempo, podem provocar o cancro. Se o material genético das células dos órgãos sexuais for afectado, podem resultar de-feitos congénitos nos filhos dos indivíduos expostos. Essa a razão por que a utilização da radiação tem de ser cuidadosamente controlada.

Porém, como muitos sobreviventes do cancro podem testemunhar, a radiação também salva vidas. O organismo pode tolerar doses elevadas se forem dirigidas apenas para um pequeno volume. Esse é o princípio fundamental da radioterapia no tratamento do cancro. A radiação pode ser gerada externamente ou por material radioactivo colocado dentro do organismo, geralmente dentro ou perto do tumor. A radiação dirige-se para o alvo, acabando por matar as células malignas e produzindo em geral lesões mínimas nas células saudáveis. A radiação também está a ser utilizada no tratamento de doenças proliferativas benignas, como a formação de quelóides (cicatrizes espessas) e a formação óssea heterotrópica (anormal), que podem surgir após uma cirurgia à anca.

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