Remédios para Azia

Muitas pessoas, numa altura ou outra, já utilizaram antiácidos para aliviar o ardor provocado pela azia ou o crónico sabor amargo na boca, ou a sensação de ardor na garganta que sentem ao acordar de manhã. Para algumas pessoas, estes sintomas são um mal codiano. Mas, embora geralmente eficazes e seguros em utilização ocasional, os antiácidos provocam efeitos colaterais que é preciso conhecer.


Como atuam os antiácidos

Os antiácidos são vendidos nas farmácias sob muitos nomes comerciais, quer na forma líquida ou em pastilhas para engolir ou mastigar. Todos eles atuam pela neutralização do refluxo gastresofágico, que se dá quando o ácido do estômago refluiu para o esófago, provocando a referida sensação de ardor no peito. Para alívio mais rápido, os produtos líquidos são provavelmente a melhor escolha, embora todas as formas actuem rapidamente, debelando os sintomas em apenas alguns minutos.


Quando tomados ocasionalmente ou por um curto período, os antiácidos não apresentam normalmente riscos, mas por vezes são mais os problemas que causam do que os que resolvem. Porque contêm diversos ingredientes activos, cada um destes pode afetar-nos diferentemente. Se, por exemplo, descobrir que o alívio é apenas passageiro e a azia regressa com maior intensidade uma hora depois, pode sofrer de produção exagerada de ácido em resposta à presença do fármaco. Essa situação por vezes verifica-se quando o antiácido contém grandes quantidades de carbonato de cálcio ou bicarbonato de sódio. A solução para este problema pode ser tão simples como mudar para outro antiácido.

Os novos fármacos contra a azia

Distintos dos antiácidos tradicionais, surgiu um novo grupo de medicamentos, os bloqueantes H2, e que inclui a cimetidina, a renitidina ou a famotidina. Existem com diversos nomes comerciais e só podem ser obtidos com receita médica. Atuam pelo bloqueio da acção das células produtoras de ácido que revestem o estômago.

Embora os bloqueantes H2 aliviem a maioria dos casos de azia, é necessário saber quais os alimentos que provocam esta situação, pois aqueles medicamentos têm de ser tomados pelo menos uma hora antes da ingestão de um desses alimentos. Isto significa que não só temos de saber antecipadamente se vamos jantar almôndegas condimentadas, mas também a forma como o nosso estômago lhes reagirá, para podermos tomar a tempo o medicamento.

Os bloqueantes H2 são geralmente considerados seguros, mas o uso prolongado pode causar efeitos secundários, como cefaleias, fadiga, tonturas, diarreia, diminuição da libido e mesmo impotência temporária. Alguns bloqueantes H2 não devem ser tomados por pessoas com problemas dos rins ou fígado.

Tomar antiácidos tradicionais e, ao mesmo tempo, bloqueantes H2 reduz a eficácia destes últimos. Se tomar os dois, faça intervalos de 3 horas entre as doses.

Por vezes, as pessoas vão às urgências por estarem convencidas de que estão a ter um ataque cardíaco, quando, afinal, se trata de uma simples azia. Por outro lado, há casos em que as pessoas ign-raram os primeiros sinais de um ataque de coração, pensando que apenas necessitavam de um antiácido. Mas ainda que tanto as dores da azia como as do ataque cardíaco se sintam na zona do coração, os sintomas diferem. A dor no peito devido a um ataque cardíaco é descrita como uma dor que aperta, enquanto a azia arde. No ataque cardíaco, a dor irradia para o pescoço e para um ou ambos os braços; a dor da azia tende a restringir-se ao peito e às vezes estende-se à garganta.

A azia grave ou crónica pode ter consequências perigosas. Consulte o médico se notar um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Azia que ocorre mais de duas vezes por semana, frequentemente sem motivo.
  • Pouco efeito de antiácidos ou bloqueantes H2.
  • Regurgitação de comidas ou bebidas.
  • Dificuldade em engolir ou alimentos que ficam presos na garganta.
  • Vómitos com sangue e/ou fezes negras.

A azia crónica deve-se a uma disfunção dos músculos do esfíncter inferior do esófago, que liga este ao estômago. Normalmente, quando comemos, esses músculos relaxam-se apenas o suficiente para deixar passar os alimentos do esófago para o estômago, fechando-se depois novamente. Esta ação evita que os ácidos gástricos e outros sucos digestivos refluam através da abertura e provoquem a azia. Se os músculos do esfíncter relaxarem na altura errada ou se tornarem frouxos, o ácido do estômago reflui continuamente, provocando a azia crónica.

Não tome antiácidos nem bloqueantes H2 se sofrer de azia crónica grave: pode estar a esconder uma situação que deve ser tratada por um médico. Sem tratamento, a azia crónica pode conduzir à ulceração e hemorragia do esófago, a dificuldades respiratórias e até cancro do esófago.

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