Medicina Chinesa

A ênfase da medicina chinesa recai no indivíduo. Os seus sintomas serão vistos como resultado de um conjunto único de desequilíbrios e faltas de harmonia dentro do seu organismo e um médico chinês escolherá determinadas plantas ou pontos de acupunctura para os corrigir e restaurar-lhe a saúde.


A complexa filosofia em que se baseia a medicina chinesa pode ser difícil de compreender para quem foi educado no Ocidente. Na sua base está o princípio de que toda a matéria do Universo, incluindo as estrelas, a Terra e a humanidade, vem de uma fonte unificada a que se dá o nome de tao.


Dentro do tao existem duas forças opostas: o yin, que é visto como passivo, escuro e feminino, e o yang, que é visto como ativo, leve e masculino. O yin e o yang existem numa oposição harmoniosa, em constante mudança e fusão, mas sempre em equilíbrio. Este movimento constante entre os dois cria uma energia conhecida como chi, ou a força da vida.

Na medicina chinesa, crê-se que o chi flui através do corpo pelas 14 vias verticais, conhecidas como linhas meridianas, passando cada uma delas por um órgão específico. Se houver um desequilíbrio de yin e yang no organismo, o fluxo de chi é interrompido. Isso pode levar a obstruções de energia, que os médicos chineses acreditam serem causadoras de doenças.

Um desequilíbrio pode ser causado por poluição, alimentação pobre, falta de exercício, quantidade insuficiente de repouso ou de sono, perturbação emocional, ou obstruções mecânicas, tais como tumores.

Todas as áreas da medicina chinesa são concebidas para restaurar o equilíbrio do yin e do yang, permitindo assim que o chi flua suavemente e que o corpo se cure.

Para além dos princípios do yin, yang e do chi, a medicina chinesa também faz uso da lei dos cinco elementos. Para simplificar, a teoria dos cinco elementos afirma que determinados órgãos estão ligados aos cinco elementos que se encontram na natureza: a madeira, o fogo, á. terra, osmetal e a água. Para manter uma boa saúde é necessário que os cinco elementos estejam em harmonia. Por exemplo, o metal está associado aos pulmões, ao intestino grosso, ao nariz e à pele. Se tiver algum problema de pele, o especialista determinará que elemento é o metal dominante.

Para além das teorias de yin e yang e dos cinco elementos, existem muitas outras ferramentas de diagnóstico usadas na medicina chinesa para determinar a causa de doenças. Um exemplo disso é o conceito de desequilíbrio do corpo. Se consultar um médico chinês, este poderá dizer-lhe que os seus sintomas se devem a excesso de calor, fogo, frio, vento, secura ou humidade num ou mais dos seus órgãos.

Se estes fatores forem analisados em relação a doenças humanas, podem ser vistas muitas semelhanças. Uma doença provocada por vento apresenta sintomas que percorrem o corpo e que são de curta duração, como por exemplo uma constipação. Tal como o vento, os sintomas são móveis, quase «tempestuosos», tais como espasmos musculares e tonturas.

Um excesso de humidade provoca sintomas «pesados», tais como expectoração, enquanto a secura traz consigo uma pele gretada, cabelo seco e quebradiço e tosse seca. As inflamações, erupções cutâneas e úlceras estão relacionadas com um excesso de fogo, mas o frio provoca dores que ficam «congeladas» num determinado local e frieza física. Tal como no mundo natural, onde um equilíbrio subtil dos elementos é vital para a manutenção da vida, uma boa saúde de-pende da harmonia entre estes elementos.

Os três tipos principais de medicina chinesa são a prescrição de ervas chinesas para corrigir uma falta de harmonia; a acupunctura, que implica a inserção de agulhas em pontos específicos ao longo dos meridianos de forma a libertar o fluxo de chi e a digitopressão, que implica a aplicação de pressão em pontos específicos sobre os meridianos.

Pensa-se que os efeitos analgésicos da acupuntura e da digitopressão se devem ao fato de o cérebro receber apenas um determinado número de mensagens de uma vez — dado que as mensagens de pressão chegam ao cérebro mais depressa do que as de dor, evitam que estas cheguem ao seu destino. Os especialistas modernos de digitopressão e da acupunctura utilizam cerca de 2000 pontos específicos.

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